Stonehenge
Estava chovendo, uma chuva forte e grossa daquelas que água parece grudar no corpo como se fosse óleo. Luke estava debaixo do temporal, lembrando de tudo o que tinha passado no ultimo ano, sentindo todas as sensações ao mesmo tempo. Ele estava lá, debaixo daquela arvore onde o seu nome e o nome dela estavam gravados, com o canivete, entalhados para sempre, Luke só queria que assim como na arvore, pudesse ficar com ela do seu lado para sempre. Ele não se conforma no que havia acontecido e o soco que ele deu na arvore era prova disso. Seus olhos estavam cheio de inconformismo que misturados com as lágrimas davam um tom de desespero.
Na sua mente as informações começavam a ir de um lado para o outro assim como ele estava de um lado para o outro, Luke tentava solucionar um problema que nunca tinha enfrentado, talvez tenha enfrentado mas nunca desse lado, nunca com tanta coisa envolvida. Luke ignorava a chuva, a prova disso era que ele segurava o seu violão, o qual era o seu mais estimado bem até aquele ano.
Ele agora começa a andar em direção a casa dela. O capuz de seu moletom já estava encharcado e até agora ele nem havia se dado conta que ele estava em um temporal, seus passos o levavam a direção daquilo que seria totalmente o contrario de tudo que ele já tinha passado ou feito. Luke estava decido e ao chegar perto e ver a luz do quarto dela acessa o seu ímpeto aumentara, assim como a sua respiração.
Agora, ele ouvia claramente as batidas de seu coração. Cada passo parecia ser acompanhado de uma batida. Não tinha mais volta, Luke segurou o braço de seu violão como uma criança segura a mão de sua mãe no primeiro dia de aula. Ele nunca havia feito o que estava prestes a fazer. Ela estava lá, ele tinha certeza, na janela a foto grudada dos dois já estava lá. Não tinha mais volta. O que dava para ouvir agora era a chuva e sua respiração. Luke vai até o interfone após ter checado que os pais dela não estavam. Agora não tem mais volta, ele repetia isso a si mesmo como um incentivo, como algo que não o fizesse parar com o seu objetivo.
O silêncio foi rompido com o toque do interfone. O coração de Luke batia mais do que nunca. Ele escuta a voz dela, embargada, soluçante, presa, voz de quem estava chorando. Ela diz pela segunda vez. Ele então toma coragem, agora não tem mais volta e sem rodeios ele começa a falar:
- Talvez você estranhe ao meu ouvir....
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